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sábado, 2 de julho de 2011

Homem, produto da evolução?



A Propósito de um
Centenário Darwiniano


Dr. Cristóforo Postiglioni
Reformador (FEB) em 05.1959

            Na confusão dos acontecimentos atuais, o homem da rua esquece que neste ano de 1959 se comemora o centenário de uma obra que revolucionou o pensamento da época, constituindo luminoso marco no progresso das ciências humanas.
            “A Origem das Espécies” (The Origin of Species)  é o nome com que essa obra passou à imortalidade, juntamente com onze outras posteriores, nas quais o leit-motiv é a evolução, a ontogenia, a fitogenia, a adaptação ao meio, as variações, a seleção natural e outras questões biológicas anexas.
            O autor deste monumental e revolucionário repositório de teorias e fatos científicos foi Charles Robert Darwin, cujo sesquicentenário de nascimento se verificou em fevereiro p. passado.
            Cerca de um ano antes do aparecimento da mencionada obra, a 1º de julho de 1858, Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1822-1913), que haviam chegado independentemente a idênticas conclusões, anunciaram, em conjunto, a teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural, fato que representou um grande passo nos conhecimentos humanos, comparável à descoberta da lei da gravitação por Newton.
            Wallace, jovem naturalista que se vinha correspondendo com Darwin, é quem praticamente obrigou o colega a revelar-se. Havia muito que Darwin vinha empreendendo seus estudos acerca da origem das espécies, assunto que igualmente entusiasmava aquele outro notável investigador, mas, conforme suas próprias palavras posteriores, preocupava-se tanto em evitar os preconceitos da época, que resolvera, ao menos por algum tempo, não esboçar o mais breve esquema de suas idéias evolucionistas. Um ano antes do célebre comunicado ao mundo científico, recebera ele uma carta de Wallace, na qual este (que já havia escrito, em 1855, uma obra relativa às suas próprias investigações em torno da origem das espécies) lhe delineava a teoria da seleção natural, fato que tem seu testemunho numa carta que o próprio Darwin remetera a seu amigo Gray (5 de setembro de 1857). Tudo isto surpreendeu vivamente o pai do darwinismo, animando-o a revelar publicamente a importante descoberta, o que foi feito, solidariamente, pelos dois ilustres naturalistas, ao mesmo tempo.
            Não é nosso intento deambular pelos caminhos percorridos pela Biologia, bela companheira nossa, mas o de destacar que existe um paralelismo eloqüente, em que vemos um sinal do Alto, no nascimento, no desenvolvimento e na vida de duas obras e de dois homens. Geradas quase ao mesmo tempo, “A Origem das Espécies” e “O Livro dos Espíritos”, ambas levantaram contra si uma verdadeira guerra, pois vinham demolir intocáveis bastilhas de prejuízos e interesses enraizados. Um procurou dar luz a questões concernentes ao mundo físico, exterior, do homem e seu meio; a outra, verdadeira bíblia laica, veio dar o testemunho da realidade do mundo interno do homem, do mundo espiritual. Uma atendia à evolução filogenética do homem, e a outra explicava para que e porque evolucionava o ser corporizado no invólucro humano, e bem assim os seres inferiores, seus irmãos. Uma é a melodia da evolução; a outra, a sinfonia mesma da evolução criadora corpo-espírito, traduzindo as leis divinas e eternas.
            A doutrina evolucionista vem pelo menos de Anaximandro (século VI a.C.) e foi aceita por muitos grandes espíritos da antigüidade, mas só com Darwin e Wallace ela adquiriu foros mundiais de verdade demonstrada. Assim também, a doutrina e os fenômenos espíritas, conhecidos desde tempos imemoriais, só adquiriram conceituação racional e científica com Allan Kardec.
            Evolucionismo e Espiritismo são, à luz das conquistas humanas, dois aspectos de uma mesma questão. Ambos atraíram as iras de ilustres homens pertencentes à Igreja e à Ciência acadêmica, porém, tanto Darwin quanto Kardec não desceram do terreno superior em que sua inteligências missionárias os obrigavam a permanecer. Detratores violentos foram cedendo e continuadores eméritos vieram dar mais lustre às suas obras capitais.
            “A Origem das Espécies”, cuja influência no pensamento moderno foi sumamente relevante, encontrou no Espiritismo imediata compreensão, tanto que o seu genial Codificador, Allan Kardec, procurou relacionar a evolução orgânica ao plano do Espírito, como se segue:
            “O Espírito não chega a receber a iluminação divina, que lhe dá, simultaneamente com o livre arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra de sua individualidade.” (Allan Kardec, “A Gênese”, 1868, cap. VI, Parágrafo 19)
            Antes mesmo de surgir o ruidoso livro de Darwin - “A Descendência do Homem” (1871), que levantou grande celeuma e agitou contra si toda a teologia do mundo contemporâneo, obra em que o autor demonstrava ser a raça humana originalmente descendente de algum ancestral simiesco há muito já extinto, mas que provavelmente teria sido antepassado comum dos antropóides existentes e do homem, já Kardec doutrinava em 1869:
            “Ainda que isso lhe fira o orgulho, tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra.  Aí está o inexorável argumento dos fatos, contra o qual seria inútil protestar.” (“A Gênese”, cap. X, parágrafo 29)
            O Catolicismo e o Protestantismo foram duramente afetados pelos progressos revolucionários que a Ciência e a Terceira Revelação trouxeram ao mundo. A fé tradicional, a fé dogmática, que afirmava a Criação partindo do nada, que a limitava nos seis dias bíblicos, numa interpretação inteiramente literal, entrou em declínio. “Foi, sem dúvida - escreveu o Prof. Edward McNall Burns, da Rutgers University -, a hipótese de Darwin o progresso científico que determinou os mais profundos efeitos na religião”, originando o movimento conhecido como modernismo, incrementando, podemos acrescentar, o próprio materialismo, já que aquelas religiões não podiam fornecer respostas racionais às indagações dos intelectuais, o que seria obstado se eles tivessem conhecido a nova Filosofia religiosa que despontara ao mesmo tempo.
            Muitos clérigos jovens aceitaram a doutrina evolucionista, mas foram severamente admoestados, e um deles, o Padre George Tyrrel, que até pregava a adaptação do Catolicismo ao progresso crescente da cultura geral, foi excomungado pelo papa Pio X que, também se dirigindo ao clero em geral, proibiu a este aceitasse a idéias daquele sacerdote. A Igreja, porém, foi forçada à adaptação, que lenta e amplamente tem sido levada a efeito, havendo atingido com Pio XII um grau bastante significativo, papa que afinal permitiu o estudo do evolucionismo.
            Mencionamos atrás o nome de Alfred Russel Wallace e a sua sábia contribuição à teoria evolucionista, continuada através de várias obras sobre o mesmo assunto, sendo que em uma delas - “Contribuitions to the Theory of Natural Selection”, London, 1870, ele mostrou como certos fatos poderiam ser explicados pela ação dos espíritos, porquanto a Seleção Natural não os conseguia elucidar. “Entretanto - escreveu, mais tarde, o grande naturalista (Miracles and Modern Spiritualism, London, 1876) -, emiti esta opinião anfibologicamente, e expus eu mesmo as objeções a que estava sujeita. Desde, porém, que me convenci da verdade do Espiritismo, tenho sustentado que esta doutrina é a única que pode dar a explicação de certos fenômenos, sem ser, por isso, contrária à grande teoria da Evolução por meio da Seleção Natural.”
            Aliando o Espiritismo ao Evolucionismo, Wallace atraiu para si o desdém de alguns cientistas amigos, e sua reputação de grande naturalista e filósofo chegou até mesmo a ficar ameaçada.
            Nada, porém, o demoveu de suas novas idéias, baseadas em fatos cientificamente verificados, o que o levou a divergir de Darwin e o orientar no sentido espiritualista seus trabalhos sobre a seleção natural dos animais, considerando que forças invisíveis também intervinham no desenvolvimento da espécie humana, com objeto e fins determinados.
            Darwin, Wallace e Kardec formam, assim, o trio de gigantes que em meados do século passado alargaram e aprofundaram os horizontes do conhecimento humano, abalando e demolindo arraigadas e rançosas concepções seculares, para sobre elas alicerçarem um mundo mais belo e verdadeiro.
            Estas singelas reflexões por certo nos incentivam a cumprir os deveres que temos para com a Doutrina codificada por Allan Kardec, a fim de que seus fundamentos sejam mais e mais reconhecidos em seus justos valores e na sua real importância subsidiária para as investigações da chamada psicologia experimental, por exemplo, bem como da evolução, que, sem a contribuição da escola espírita, como Geley a denomina, continuará encerrada nos programas de Filosofia e de Biologia, no desconhecimento da página mais importante para a criatura humana: O Espírito imortal.
            Aí está nossa homenagem e nosso reconhecimento a Darwin, na oportunidade do 1º Centenário de sua obra máxima, muito irmanada, por seus objetivos altamente progressistas, à que Kardec publicara um ano antes, obras que para os espíritas representam as duas faces de uma mesma medalha, numa das quais está gravado - Evolução Orgânica -e, na outra: Evolução Espiritual.



A verdade é sempre vitoriosa!


Reformador
Novembro 1959

            Em 24 de Novembro de 1859 saía a público, na Inglaterra, a obra principal de toda a vida  científica de Charles Darwin: “A Origem das Espécies”. Os 1250 exemplares da primeira edição foram todos vendidos no mesmo dia. Espanto e admiração envolveram muitos homens de ciência, amigos de Darwin, originando-se duas correntes antagonistas que por muito tempo se digladiaram.
            Concedemos a palavra a Sir Julian Huxley, autoridade em genética e evolução, um dos mais ilustres cientistas britânicos, que nos dirá algo do que se passou naquela época, após o aparecimento da “A Origem das Espécies”(*):
            Adam Sedgwick, antigo professor de Darwin, achou algumas partes ‘totalmente falsas e penosamente malignas’. Sir John Herschel, o cientista e filósofo, qualificou o livro de Lei da Confusão. Mas muitos dos melhores intelectos estavam radiantes. O ilustre ornitólogo Alfred Newton foi um convertido, e meu avô, o então jovem biólogo Thomas Henry Huxley, se fez o mais decidido campeão do darwinismo.
            Hoje dificilmente se pode imaginar a apaixonada veemência com que, naqueles dias, se discutiu a respeito da evolução. Quando a Associação Britânica para o Progresso da Ciência se reuniu em Oxford, em 1860, o bispo Wilberforce, matemático e ambicioso prelado, anunciou sua intenção de ‘esmagar Darwin’. O sábio não estava presente. Depois de falar ‘durante meia hora com acrimônia, vacuidade e injustiça inimitáveis ‘, volveu-se para Huxley, já conhecido como darwinista declarado e ‘rogou-lhe que explicasse se sua descendência do macaco provinha do ramo de seu avô ou de sua avó.’
            Não são conhecidos os termos textuais da resposta de Huxley.  Contudo, um dos presentes a  recordou desta forma: ‘Afirmei - e o repito - que o homem não tem razão para envergonhar-se de ter o macaco por avô. Se eu me envergonhasse de algum antepassado, seria sobretudo de um homem... um homem de mentalidade versátil e instável...  que, não contente com um discutível êxito na esfera de suas atividades, vem tratar de questões científicas sobre as quais não tem real conhecimento, apenas com o objetivo de obscurece-las mediante uma retórica desatinada e de afastar a atenção do auditório do verdadeiro tema de sua discussão, por meio de digressões grandiloqüentes e habilidosas invocações ao prejuízo religioso.”
            Depois deste incisivo discurso de Thomas Huxley, o mundo culto foi aceitando as conclusões de Darwin por um processo contínuo e inelutável. A teoria da evolução resistiu à prova do tempo... a de todo um século.
            O darwinismo purificou a atmosfera de quase todos os ramos da Ciência e do conhecimento. Foi Darwin, mais do qualquer outro estudioso, quem unificou o campo inteiro da Biologia. Os fatos isolados da Botânica, da Zoologia, da Fisiologia e da Medicina, da Anatomia e da Psicologia da conduta, só encontraram encadeamento na andaimaria de idéias do darwinismo. Beneficiaram-se também muitas outras matérias afastadas da Biologia; a Astronomia, a Filologia, a Arqueologia, e estudo comparado das Religiões, a História, a Antropologia, a Psicologia, adquiriram novas dimensões. Todos os ramos de estudo progrediram em maior ou menor grau por haverem adotado o ponto de vista evolucionista.
            Que mais vemos pela porta que Darwin abriu há cem anos? Uma nova imagem do homem e do universo. Darwin nos conduziu a ver a posição do homem no Universo por uma perspectiva nova e mais humilde.
             Ao lado da evolução biológica, enunciada pelo sábio naturalista inglês, e hoje plenamente confirmada, o Espiritismo descortinou ao Mundo, quase ao mesmo tempo, a evolução lenta e gradual do Espírito. Uma é companheira da outra através das idades geológicas.
            O homem (corpo e espírito) é o produto atual dessa evolução que, conforme esclarece agora André Luiz, igualmente se verificou no plano extrafísico, além das percepções humanas.
            Oxalá, em futuro próximo, com as viagens interplanetárias e a descoberta de outras humanidades, a ciência oficial resolva, finalmente, investigar a realidade do Espírito e sua longa caminhada pelas espécies vegetais e animais até chegar ao ‘homo sapiens’.
            Enquanto isso não acontece, os espíritas continuaremos a sofrer os sorrisos de desdém de homens encastelados na Ciência, bem como as investidas dogmáticas de representantes da Igreja, tal como sucedeu a Darwin e seus continuadores.
            Não desesperemos, todavia; A Verdade é sempre vitoriosa!
                                                                              (*)  Life, em espanhol, 1958 


É necessário que Ele cresça...


  É Necessário que Ele Cresça...         
     Evangelho de João
        
3,22 Em seguida, foi Jesus com os seus discípulos para os campos da Judéia e, ali, se deteve com eles, e batizava. 3,23 João Batista também batizava, mas em Enon, perto de Salim, porque ali havia muita água, e muitos vinham. 3,24 Pois João ainda não tinha sido lançado ao cárcere. 3,25 Ora, surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu, a respeito do batismo. 3,26 Foram a João e disseram-lhe: - Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, de quem deste testemunho, eis que está batizando e todos vão com Ele 3,27 João replicou:  - Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu! 3,28 Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: -Eu não sou o Cristo, mas fui enviado por Ele e adiante Dele. 3,29 Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente, e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria que agora se completa, 3,30 É necessário que  Ele cresça e que  eu diminua 3,31 Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a todos. 3,32 Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o Seu testemunho.
3,33   Aquele que recebe o Seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro! 3,34 Porque, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus  o espírito por medida. 3,35  O Pai ama o filho e confiou-lhe todas as coisas. 3,36 Aquele que crê no filho tem a vida, quem não crê no filho  não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.
        
Para  Jo (3,30), -É necessário que Ele cresça e que eu diminua - leiamos a Emmanuel por Chico Xavier em “Vinha de Luz”:

            Há sempre um desejo forte de propaganda construtiva no coração dos crentes sinceros.        

            Confortados pelo pão espiritual de Jesus, esforçam-se os discípulos novos por estendê-lo aos outros. Mas, nem sempre acertam na tarefa. Muitas vezes, movidos de impulsos fortes, tornam-se precipitados, reclamando colheitas prematuras. O Evangelho, porém, está repleto de ensinamentos nesse sentido.

            A assertiva de João Batista, nesta passagem, é significativa. Traça um programa a todos os que pretendam funcionar em serviço de precursores do Mestre, nos corações humanos.

            Não vale impor os princípios da fé.

            A exigência, ainda que indireta, apenas revela seus autores. As polêmicas destacam os polemistas... As discussões intempestivas acentuam a colaboração pessoal dos discutidores. Puras pregações de palavras fazem belos oradores, com fraseologia preciosa e deslumbrantes ornatos da forma. Claro que a orientação, o esclarecimento e o ensino são tarefas indispensáveis na extensão do Cristianismo, entretanto, é de importância fundamental para os discípulos que o Espírito de Jesus cresça em suas vidas. Revelar o Senhor na própria experiência diária é a propaganda mais elevada e eficiente dos aprendizados fiéis.

         Se realmente desejas estender as claridades da tua fé, lembra-te de que o Mestre precisa crescer em teus atos, palavras e pensamentos, no convívio com todos os que te cercam o coração. Somente nessa diretriz é possível atender ao Divino Administrador e servir aos semelhantes, curando-se a hipertrofia congenial do ‘eu’.”

        Para  Jo (3,30),-É necessário que Ele cresça e que eu diminua - tomemos “Conduta Espírita”, de André Luiz por Waldo Xavier:
           
“Conduta Espírita na Propaganda...

- Escudar-se na humildade constante, ao desenvolver  qualquer atividade de propaganda doutrinária, evitando alarde, sensasionalismo, demonstrações publicitárias pretensiosas ou métodos de ação suscetíveis de perturbar a tranquilidade pública. Sem orientação segura, não há propaganda produtiva.

- Com critério e temperança, estender a propaganda libertadora dos postulados espíritas até ao recesso das penitenciárias e das colônias de isolamento sanitário, sem depreciar crenças ou sentimentos. Os mais doentes requerem maior ajuda.

- Incentivar o intercâmbio fraterno entre as pessoas e as organizações doutrinárias, através de cartas e publicações, livros e mensagens, visitas e certames especializados, buscando a unificação das tarefas e o esclarecimento comum. A permuta de experiências equilibra o progresso geral.

- Pelo rádio ou pela imprensa leiga, não se estender demasiadamente, a fim de não afastar o aprendiz incipiente. A Doutrina deve ser ministrada em pequenas porções.

 - Para não se desviar das finalidades espíritas, selecionar, com ponderação e bom senso, os meios usados na propaganda, mormente aqueles que se relacionam com atividades comerciais ou mundanas. Torna-se inútil a elevação dos objetivos, sempre que haja rebaixamento moral nos meios.

 - Usar com prudência ou substituir toda expressão verbal que indique costumes, práticas, ideias políticas, sociais ou religiosas, contrárias ao pensamento espírita, quais sejam sorte, acaso, sobrenatural, milagre e outra, preferindo-se, em qualquer circunstância, o uso da terminologia doutrinária pura. Uma palavra inadequada pode macular a bandeira mais nobre.

- Arredar de si qualquer ansiedade, no tocante à modificação rápida do ponto de vista dos companheiros. A fé significa um prêmio da experiência.

- Conquanto precisemos batalhar incansavelmente no esclarecimento geral, usando processos justos e honestos, não esquecer que a propaganda principal é sempre aquele desenvolvida pelos próprios atos da criatura, através da exemplificação eloquente de nossa reforma íntima, nos padrões do Evangelho. A Doutrina Espírita prescinde do proselitismo de ocasião.”


            Para Jo (3,34) -Cresçamos para o bem... - leiamos “Palavras de Vida Eterna”, de Emmanuel por Chico Xavier:

            “Observa a munificência das concessões divinas por toda a parte.

            Enquanto o homem raciona a distribuição desse ou daquele recurso, Deus não altera as suas leis de abundância. Anota na Terra em torno de ti: O Sol magnificente nutrindo a vida em todas as direções...

            O ar puro e sem medida... A fonte que se dá sem reservas...

            Tudo infinitamente doado a todos.

            Tudo liberalmente repartido.

            Qual ocorre às concessões do Senhor na ordem material, acontece no reino do espírito.

            As portas da sabedoria e do amor jazem constantemente abertas. Os tesouros da Ciência e as alegrias da compreensão humana, as glórias da arte e as luzes da sublimação interior são acessíveis a todas as criaturas.

            No entanto, do rio de graças da vida, cada alma somente retira a porção de riquezas que possa perceber e utilizar proveitosamente.

            Estuda, observa, trabalha e renova-te para o bem. Amplia a visão que te é própria e auxilia os outros, ajudando a ti mesmo.

            Recorda que Deus a ninguém dá seus dons por medida, contudo, cada alma traz consigo a medida que instalou no próprio íntimo para a recepção dos dons de Deus.”



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Imprensa Espírita - Primórdios



A Imprensa Espírita no Brasil
1869-1900


extraído  do
Reformador (FEB)  Abril 1955

            Em ‘Reformador’ de Abril de 1953 publicamos o trabalho com o título acima, numa homenagem aos pioneiros da Imprensa espírita no Brasil.
            Hoje, tornamos a fazê-lo, para atender a pedidos insistentes de novos assinantes desta revista, e, aproveitando essa oportunidade, completaremos alguns dados e retificaremos outros, de acordo com as novas e mais profundas pesquisas que nesse meio tempo nos foi possível realizar.

1.         ECO D’ÁLÉM TÚMULO - Subintitulava-se ‘Monitor do Espiritismo no Brasil’. Órgão da Associação Espirítica Brasileira, fundada em Salvador (Bahia), em Julho de 1869, por Luís Olímpio Teles de Menezes. Foi o primeiro periódico espiritista aparecido no Brasil.
2.         REVISTA ESPÍRITA - Publicação mensal de estudos psicológicos, feita sob os auspícios de alguns espíritas. Redigida pelo Dr. Antônio da Silva Neto. Fundada nesta Capital, surgiu em Janeiro de 1875, tendo saído apenas seis números, que perfazem um total de 204 páginas.
3.         O ESPÍRITA - Jornal fundado no ano de 1875, em Natal (Rio Grande do Norte), por ‘um grupo de moços inteligentes e dedicados’. Durante algum tempo foi o arauto das novas ideias naquele Estado. (Veja-se Memória Histórica do Espiritismo - publicação feita pela FEB, em 1904, em comemoração do centenário de Allan Kardec, pág. 63.)
4.         REVISTA DA SOCIEDADE ACADÊMICA DEUS, CRISTO E CARIDADE - Apareceu nesta capital em Janeiro de 1881, fundada pelos seguintes diretores da Sociedade: Dr. Antônio Pinheiro Guedes, Carlos Joaquim de Lima e Cirne, Dr. Francisco Siqueira Dias, José Antônio Val de Vez e Salustiano José Monteiro de Barros. Foi gerente dessa revista o Prof. Afonso Angeli Torteroli.
5.         A CRUZ - Semanário na cidade do Recife (Pernambuco), em 1881, pelo Dr. Júlio César Leal.
6.         UNIÃO E CRENÇA - Órgão mensal e gratuito do Grupo Espírita Fraternidade Areense. Editores: Cel. Joaquim Silvério Monteiro Leite e Afonso Távora. O primeiro número saiu a lume em 24 de Março de 1881, na cidade de Areias (São Paulo).
7.         O ESPIRITISMO - Órgão espírita, bi-semanal, dedicado ao estudo da Verdade, fundado nesta Capital em 22 de Outubro de 1881.
8.         O RENOVADOR - ‘Órgão espírita’ fundado nesta Capital, em 28 de Agosto de 1882, pelo Major Salustiano Monteiro de Barros e professor Angeli Torteroli.
9.         REFORMADOR - Fundado nesta Capital em 21 de Janeiro de 1883, por Augusto Elias da Silva. Ao entrar no segundo ano, passou, a ser órgão oficial da Federação Espírita Brasileira. De todos os periódicos citados, é o único que sobreviveu, e atualmente (1955) está no seu septuagésimo terceiro ano de existência ininterrupta, com uma tiragem mensal de 25 000 exemplares.
10.       O VIANENSE - Periódico espírita publicado na cidade de Viana (Maranhão). Existia em 1883. Ignoramos a data de fundação.
11.       SÉCULO XX - Órgão da Sociedade Espírita Concórdia (Estado do Rio), da qual era presidente João Barreto. Publicação quinzenal, de distribuição gratuita, surgida em 13 de Abril de 1885.
12.       ESPIRITUALISMO EXPERIMENTAL - Órgão consagrado a todos os ramos de conhecimentos e especialmente à Ciência espírita. Publicação mensal fundada na Capital do Estado de S. Paulo, em Setembro de 1886, por Francisco dos Santos Cruz Júnior. Dela foi representante no Rio Elias da Silva.
13.       A NOVA ERA - Hebdomadário fundado nesta Capital, em 1º de Janeiro de 1890, por Antônio Francisco Pereira e Nélson de Faria.
14.       A LUZ - Órgão do Centro Espírita de Curitiba (Paraná), fundado em 15 de Janeiro de 1890 por Alfredo Caetano Munhoz e Manuel Cunha. Publicação quinzenal.
15.       O REGENERADOR - Fundado em Belém (Pará), no ano de 1890, provavelmente em Março. Periódico mensal, dedicado à propaganda espírita naquele estado.
16.       VERDADE E LUZ - Órgão de Espiritualismo científico, fundado na Capital do Estado de S. Paulo, em 20 de Maio de 1890, por Antônio Gonçalves da Silva Batuíra. Publicação quinzenal. Depois do ano XVI, passou a ser órgão da Sociedade Verdade e Luz, também fundada por Batuíra.
17.       O REGENERADOR - Órgão do Grupo Caridade nas Trevas (Centro Espírita São Francisco de Assis), desta Capital. O primeiro número desta publicação mensal saiu em 1º de Setembro de 1890.
18.       REVISTA ESPÍRITA - Periódico mensal de estudos psicológicos e de moral, fundado em Curitiba (Paraná) em fins de 1890.
19.       A EVOLUÇÃO - Órgão quinzenal do Centro Espírita Rio-Grandense, fundado na cidade do Rio Grande (Rio Grande do Sul), em Janeiro de 1892, por Domingos Toscano Barbosa.
20.       O FAROL - Órgão do Centro Espírita de Paranaguá (Paraná), fundado em 27 de Junho de 1893. De distribuição gratuita.
21.       A VOZ ESPÍRITA - Órgão quinzenal de Centro Espírita de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), fundado em 1894. Propriedade do Grupo Virgem Maria.
22.       A VERDADE - Órgão do Centro da União Espírita e da Sociedade Espírita Cristo e Caridade, de Cuiabá (Mato Grosso), fundado em Maio de 1894 pelo Capitão Pedro Antunes de Souza Ponce.
23.       PERDÃO, AMOR E CARIDADE - Órgão do Grupo Espírita ‘Esperança e Fé’, de Franca (Est. de S. Paulo), fundado em 1894. A princípio foi publicado anualmente, mas de 1 de setembro de 1896 em diante entrou em nova fase e passou a surgir mensalmente. No começo era de distribuição gratuita.
24.       A FÉ ESPÍRITA  - Órgão do Centro da União Espírita e do Centro Consolo dos Aflitos, de Paranaguá, (Paraná), aparecido em 15 de setembro de 1894. Publicação mensal gratuita, fundada por João Moraes Pereira Gomes.
25.       A RELIGIÃO ESPÍRITA - Órgão do Centro Espírita Rio-Grandense, na cidade do Rio Grande (Rio Grande do Sul), fundado em 1895 por Miguel Vieira de Novais. Mensal e de distribuição gratuita.
26.       REVISTA ESPÍRITA - Órgão fundado na Capital da Bahia, em 15 de Agosto de 1895 pelo Dr. Silvino Moura. Era a publicação quinzenal do Centro Espírita Amor e Caridade, mas em 1897 passou a ser órgão do Centro da União Espírita da Bahia.
27.       ECO DA VERDADE - Órgão do Centro Espírita de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), fundado em Novembro de 1895, sob a direção de C. Bonone Martins Viana. Distribuição gratuita.
28.       A UNIÃO - Jornal quinzenal consagrado ao Espiritismo e às questões sociais, órgão do Centro da União Espírita, de Penedo (Alagoas), fundado em 1896 por João Nunes dos Santos, que foi bibliotecário da FEB em 1895.
29.       ALVIÃO - Publicado em Taubaté (Est. de S. Paulo), a principiar de 27 de Março de 1896.
30.       VOZ DA VERDADE - Órgão do Grupo Familiar S. Mateus, de Paranaguá (Paraná), fundado em 21 de Setembro de 1896 por João Moraes Pereira Gomes.
31.       ARREBOL - Órgão do Grupo Espírita Cristo, Deus e Caridade, de Uberaba (Minas Gerais), fundado em Maio de 1897.
32.       REVISTA ESPÍRITA DO BRASIL - Foi o nome com que a antiga “Revista da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade” reapareceu em 1896, agora como órgão do Centro da União Espírita de Propaganda no Brasil.
33.       RELIGIÃO ESPÍRITA - Órgão do Espiritismo religioso, mensal e de distribuição gratuita, fundado nesta Capital em 25 de Dezembro de 1897. Redator-Chefe; Leopoldo da Rocha Barros.
34.       A CARIDADE - Órgão quinzenal do Grupo Espírita Antônio de Pádua, fundado em 1º de Abril de 1898 na cidade de Ouro Preto (Minas Gerais).
35.       REVISTA ESPÍRITA - Órgão mensal da Sociedade Espírita Allan Kardec, de Porto Alegre (Rio Grande do Sul). Foi seu fundador Joaquim Xavier Carneiro, e o primeiro número surgiu em 4 de Setembro de 1898.
36.       O GUIA - Periódico mensal destinado à propaganda e defesa do Espiritismo em Pernambuco. Apareceu no Recife em 15 de Julho de 1899.

37.       REVISTA DA SOCIEDADE PSÍQUICA DE S. PAULO - Órgão trimestral da Sociedade do mesmo nome, fundado em 1º de Julho de 1899. Tinha em vista publicar estudos sobre Espiritismo, Magnetismo, Esoterismo, Psiquismo, Teosofia, etc. Só saiu um segundo e último número, em data de 1º de Outubro do citado ano. Escreviam na revista Júlio César da Silva, Diderot Júnior, Dr. Pinheiro Guedes, R. Tavares e Gentil de Assis Moura, ilustre historiador.
38.       A DOUTRINA - Periódico fundado a 1º de Abril de 1900, em Curitiba (Paraná). Era redigido por Domingos D. Veloso.
39.       O ESPÍRITA ALAGOANO - Periódico semanal fundado em meados de 1900, na cidade de Maceió (Alagoas), por Antônio Pombo. Órgão do Grupo Espírita S. Vicente de Paulo.
40.       A REGENERAÇÃO - Órgão do Grupo Espírita Allan Kardec, da cidade do Rio Grande (Rio Grande do Sul). Fundado em meados de 1900.           
41.       A PAZ - Órgão do Grupo Servos do Senhor, fundado em Salvador (Bahia), em meados de 1900, sob a direção de Manuel Maria da Boa Morte.




Primeiras publicações da obra de Kardec no Brasil...


Publicações
da obra de Kardec


Reformador (FEB)  em 10.1946

            “O Brasil foi um dos primeiros países em que traduziram e publicaram as obras de Allan Kardec. Isto se verificou através da Casa Garnier, em 1875, diante dos direitos autorais concedidos para uma edição.
            Encarregou-se da tradução o nosso saudoso companheiro Dr. Travassos, trabalhador dos mais dedicados naquela época difícil e angustiosa.
            Alguns anos depois fundando-se a FEB, os direitos autorais lhe foram cedidos, direitos esses que ela registrou aqui no Brasil, de acordo com o Código Civil e com a Convenção Internacional, para a língua portuguesa, renovando-os sempre, como o exige a lei, a fim de que tais monumentos jamais pudessem ser publicados com deturpações, como sói acontecer com as obras que caem no domínio público.”


É preciso nascer de novo...


Jesus E Nicodemos /   Vidas sucessivas              
                     
         3,1 Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, membro do Sinédrio. 3,2  Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-Lhe: -Rabí,, sabemos que és Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer essas curas que fazes, se Deus não estiver com Ele! 3,3 Jesus replicou-lhe: “ -Em verdade, em verdade vos digo, quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus!” 3,4 Nicodemos perguntou-Lhe: -Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer uma segunda vez?  3,5 “-Em verdade, em verdade vos digo”,  respondeu Jesus, “Quem não renascer da água e do espírito não poderá entrar no reino de Deus. 3,6 O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é Espírito” 3,7 Não te maravilhes de te haver dito: ‘Necessário vos é nascer de novo! 3,8 O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes donde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do   Espírito.” 3,9 Replicou Nicodemos: - Como se pode fazer isso?

                Para  Jo (3,3), -Nascer de Novo - leiamos “Fonte Viva”, de Emmanuel:

            “A própria Natureza apresenta preciosas lições, nesse particular. Sucedem-se os anos com matemática precisão, mas os dias são sempre novos. Dispondo, assim, de trezentos e sessenta e cinco ocasiões de aprendizado e recomeço, anualmente, quantas oportunidades de renovação moral encontrará a criatura, no abençoado período de uma existência?

            Conserva do passado o que for bom e justo, belo e nobre, mas não guardes do pretérito os detritos e as sombras, ainda mesmo quando mascarados de encantador revestimento.

            Faze por ti mesmo, nos domínios da tua iniciativa pela aplicação da fraternidade real, o trabalho que a tua negligência atirará fatalmente sobre os ombros de teus benfeitores e amigos espirituais.  
       
            Cada hora que surge pode ser portadora de reajustamento.

            Se é possível, não deixes para depois os laços de amor e paz que podes criar agora, em substituição às pesadas algemas do desafeto.

            Não é fácil quebrar antigos preceitos do mundo ou desenovelar o coração, a favor daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa boa vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem.

            Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário cogita de enriquecer as munições, mas se descemos à praça, desassombrados e serenos, mostrando novas disposições na luta, a idéia de acordo substitui, dentro de nós e em torno de nossos passos, a escura fermentação da guerra.

            Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão.    Alguém te não entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres. Deixa-te reviver, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem.

            Não    olvides    a   assertiva    do   Mestre:

“-Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.”

            Renasce agora em teus propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que te cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre ti mesmo, no tempo...

            Mais vale auxiliar, ainda hoje, que ser auxiliado amanhã.”

            Para  Jo (3,6) -O que é nascido de carne é carne - atentemos ao “Livro da Esperança”, de Emmanuel por Chico Xavier:

            “Atingindo o Plano Espiritual, depois da morte, sentimentos indefiníveis nos senhoreiam o coração. Nos recessos do espírito, rebentam mágoas e júbilos, poemas de ventura e gritos de aflição, cânticos de louvor pontilhados de fel e brados de esperanças que se calam, de súbito, no gelo do sofrimento...

            Rimos e choramos, livres e presos, triunfantes e derrotados, felizes e desditosos...

            Bênçãos de alegria, que nos clareiam pequeninas vitórias alcançadas, desaparecem, de pronto, no fundo tenebroso das quedas que nos marcaram a vida.

            Suspiramos pela ascensão sublime, sedentos de comunhão com as entidades heróicas que nos induzem aos galardões fulgentes dos cimos, todavia, trazemos o desencanto das aves cativas e mutiladas.

            Ao invés de asas, carregamos grilhões, na penosa condição de almas doentes...

            Na concha da saudade, ouvimos as melodias que irrompem das vanguardas de luz, entretecidas na glória dos bem-aventurados, no entanto, austeras admoestações nos chegam da Terra pelo sem-fio da consciência...

            Nas faixas do mundo somos requisitados pelas obrigações não cumpridas.

            Erros e deserções clamam, dentro de nós, pedindo reparos justos...

            Longe das esferas superiores que ainda não merecemos e distanciados das regiões positivamente inferiores em que nossas modestas aquisições evolutivas encontraram início, concede-nos, então, a Providência Divina, o refúgio do lar, entre as sombras da Terra e as rutilâncias do Céu, por instituto de tratamento, em que se nos efetive a necessária restauração.

            É assim que reencarnados em nova armadura física, reencontramos perseguidores e adversários, credores e cúmplices do pretérito, na forma de parentes e companheiros para o resgate de velhas contas.
            Nesse cadinho esfervilhante de responsabilidades e inquietações, afetos renovados nos chamam ao reconforto, enquanto que aversões redivivas nos pedem esquecimentos...

            À vista disso, no mundo, por mais atormentado nos seja o ninho familiar, abracemos nele a escola bendita do reajuste, onde temporariamente exercemos o ofício de redenção. Conquanto crucificados em suplícios anônimos, atados a postes de sacrifício ou semi asfixiados no pranto desconhecido das grandes humilhações, saibamos sustentar-lhe a estrutura moral, entendendo e servindo, mesmo à custa de lágrimas, porque é no lar, esteja ele dependurado na crista de arranha-céus, ou na choça tosca de zinco, que as leis da vida nos oferecem, as ferramentas de amor e da dor para a construção e reconstrução do próprio destino entregando-nos, de berço em berço, ao carinho de Deus que verte inefável, pelo colo das mães.”

        Para  Jo (3,7), -Jesus e Nicodemos, Vidas Sucessivas - tomemos “Caminho, Verdade e  Vida”, de Emmanuel, por Chico Xavier:
           
            “A palavra de Jesus a Nicodemos foi suficientemente clara. Desviá-la para interpretações descabidas pode ser compreensível no sacerdócio organizado, atento às injunções da luta humana, mas nunca nos espíritos amantes da verdade legítima.

            A reencarnação é lei universal. Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho.

            O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento.

            Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos prolongados. A Providência, todavia, corrige, amando... Não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta humana, de modo a se redimirem, uns à frente dos outros.

            Para a Sabedoria Magnânima nem sempre  o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas as circunstâncias que provocaram um crime.

            O algoz integral como a vítima integral são desconhecidos do homem; o Pai, contudo, identifica as necessidades de seus filhos e reúne-os, periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos  edificantes, a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores do destino, com a bênção de temporário esquecimento.”

Jesus E Nicodemos            

        3,10 Disse Jesus: “ -És doutor e ignorais estas coisas! 3,11 Em verdade, em verdade vos digo, digo o que sei e dou testemunho do que vi, mas vocês não aceitam o Meu testemunho. 3,12 Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais? 3,13 Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu - o Filho. 3,14 Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho! 3,15 Para que todo  homem  que  nele crer tenha a vida. 3,16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele  que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna,  3,17  pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele, 3,18  quem Nele crê, não é condenado; mas, quem não crê já está condenado, porque não crê no Filho de Deus. 3,19  ora, este é o julgamento: A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz; pois as suas obras eram más. 3,20  porquanto, todo aquele que faz o mal, odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam reprovadas, 3,21 Mas, aquele que pratica a verdade vem para  a luz. Torna-se, assim, claro que as suas obras são feitas em Deus.”

        Tomemos “O Evangelho...”,  de Kardec,   em  seu Cap. IV:
           
            “...o Pensamento que João Batista era Elias e que os profetas poderiam reviver sobre a Terra, se encontra em muitas passagens dos Evangelhos...”
            “Se essa crença tivesse sido um erro, Jesus não teria deixado de combatê-la, como combateu tantas outras; longe disso, Ele a sancionou com toda a sua autoridade, e a colocou como princípio e como condição necessária quando disse: É PRECISO que nasçais de novo.
            “Segundo crença antiga, a água tornara-se o símbolo da natureza material, como o Espírito era o da natureza inteligente. Estas palavras: “Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito”, significam, pois: “Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma.”  Nesse sentido é que foram compreendidas no princípio.”         
                “O que é nascido de carne é carne indica claramente que só o corpo procede do corpo, e que o Espírito é independente do corpo.”
            “O Espírito sopra onde quer; ouvis sua voz, mas não sabeis nem de onde ele vem, nem para onde ele vai, pode se entender como o Espírito de Deus, que dá vida a quem Ele quer, ou a alma do homem; nesta última acepção, “vós não sabeis de onde ele vem, nem para onde ele vai” significa que não se conhece o que ele foi, nem o que o Espírito será. Se o Espírito, ou alma, fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saber-se-ía de onde veio, uma vez que se conheceria seu começo. Como quer que seja, essa passagem é a consagração do princípio da preexistência da alma e, por conseguinte, da pluralidade das existências.”

            Para Jo (3,16) -Deus amou o mundo... - tomemos “Palavras de Vida Eterna”, de Emmanuel por Chico Xavier:

            “Não amaldiçoes o mundo que te acolhe. Nele encontras a Bênção Divina, envolvente e incessante, nas bênçãos que te rodeiam.

            O regaço materno... O refúgio do corpo... O calor do berço... O conforto do lar... O privilégio da oração... O apoio do alfabeto... A luz do conhecimento... A alegria do trabalho... A riqueza da experiência... O amparo das afeições...

            Do mundo recebes o pão que te alimenta e o fio que te veste. No mundo respiraram os heróis de teu ideal, os santos de tua fé, os apóstolos de tua inspiração e as inteligências que te traçaram roteiro.

            O Criador não no-lo ofertou por exílio ou prisão, mas por escola regenerativa e abrigo santo, qual divino jardim a pleno céu, esmaltado de sol, durante o dia, e envolvido de estrelas, durante a noite.

            Se algo existe que o tisna de lágrimas e empesta de inquietação, é a dor de nossos erros...

            Não te faças, assim, causa do mal no mundo, que, em todas as expressões essenciais, consubstancia o Bem Maior em si mesmo.

            Lembra-te de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”


            Emmanuel retorna  a  Jo (3,16) -Deus amou o mundo de tal maneira... - em seu livro 
“ Bênção de Paz ”:

            “Ninguém conseguiria manter a ordem sem a justiça, mas ninguém constrói a paz sem amor.

            Não se negará merecimento à colônia penal que reúne os doentes de espírito, como não se recusa apreço ao hospital que congrega os doentes da corpo; mas assim como na instituição de saúde somente o desvelo do amor é capaz de assegurar o preciso êxito às instruções da medicina, nos estabelecimentos de regeneração apenas o trabalho do amor garante a recuperação da lei que traça disposições para o equilíbrio social.  

            Muitos falarão de esforço corretivo perante os erros do mundo; não lhes desconsiderarás as razões quando justas, todavia, precedendo quaisquer medidas de coerção referir-te-ás ao amor que restaura. Muitos apontarão os perigos resultantes das deficiências do próximo; não lhes desrespeitarás a argumentação, quando sincera, mas antes de tudo providenciarás  a obtenção de remédio que as reduza. Assim deve ser, de vez que, por enquanto, na Terra, para legiões de acusadores, diante das vítimas do mal, existem raros advogados para o socorro do bem.

            Ama sempre. E quando estiveres a ponto de descrer do poder do amor, lembra-te do Cristo; o Senhor sabia que o mundo de seu tempo estava repleto de espíritos endividados perante a Lei, que Ele não poderia invalidar os arestos da Justiça para o reajustamento dos culpados, compreendia que as criaturas hipnotizadas pelo vício não lhe dariam atenção, que deveria contar com a hostilidade daqueles mesmos a quem se propunha beneficiar, permanecia convicto de que o extremo sacrifício lhe seria o coroamento da obra; entretanto, consubstanciando em si mesmo o infinito amor que Deus consagra à Humanidade, veio ao mundo, mesmo assim.”