“Não
sejais dogmáticos”
por Alves de Farias Filho
Reformador (FEB) Maio 1950
“Apóstolos da Nova Revelação, espíritas, espiritualistas...
não sejais dogmáticos, pois que, se o fordes, vos tornareis sectaristas; falireis
na tarefa que vos está confiada, falseando a missão que o Espírito de Verdade
vem desempenhar no vosso mundo." Roustaing – “ Os 4 Evangelhos” – Tomo 4
Não obstante a crítica severa de muitos, vejo na obra do
Sr. Roustaíng um constante elogio à lógica, a razão,
a consciência; considero-a como desenvolvimento necessário à obra do Sr. Allan
Kardec.
Outros desenvolvimentos surgirão, estou certo, pois é
necessário que o homem se compreenda do tamanho espiritual que lhe é concedido
e creia que apenas são revelados os conhecimentos que ele possa sentir e
assimilar.
Qualquer raciocínio, sem base nesta verdade, será uma
prova de ignorância em face das leis gerais e uma demonstração de orgulho
incabível no Ser criado.
*
“Não sejais dogmáticos ...” - dizem os comentadores do
lado real da vida - e, sem esforço, verá o homem que o dogma é a paralisação do
pensamento e da energia moral.
Sendo dogmático, o homem se restringe ao círculo que
traçou em torno do seu ser e anula o direito de usar do próprio raciocínio e de
agir de acordo com a razão.
E não é possível admitir, no ser consciente, esse limite
de pensamento. O direito de pensar é ilimitado e é por ele que os mundos se
elevam e os espaços vibram.
Sendo dogmático, o homem sente-se capaz de negar
firmemente o que se coloca fora do seu dogma.
Mas, porque recusar um fenômeno simplesmente pelo fato de
o não compreendermos?
Porque pretender limitar a seus conhecimentos, os
conhecimentos gerais?
Mesmo que se não admita um Deus, porque duvidar de um
fenômeno qualquer pelo simples fato de não ser ele audível ou visível pelo
homem?
Não conhece a Ciência, hoje, os limites da audição e da
visão e, consequentemente, o prolongamento dos fenômenos aos infinitos positivo
e negativo?
Não reconhece o homem superior que, por mais que se
desenvolva intelectualmente, ficará sempre de olhos abertos e parados em face
do desconhecido que o envolve em todos os sentidos?
Onde, pois, o direito de negar um fenômeno porque está
fora dos conhecimentos humanos?
Onde o valor de se firmar em dogmas que poderão ser
dissolvidos ao menor sopro científico?
É preciso que o homem se convença de que os seus conhecimentos
são uma parcela ínfima da ciência universal e se resumem à parte estritamente
necessária ao grau de elevação do planeta.
“Não sejais dogmáticos...”
Compreendei que tudo no Infinito evolve e que o dogma é a
negação desse princípio.
Além disso, o dogma torna sectarista o homem.
Insensivelmente o sectarista materializa os seus conhecimentos espirituais e se
transforma no defensor cego de uma seita.
São deturpados os princípios das leis divinas, para que
evoluam os processos materiais e, aos poucos, da espiritualidade necessária ao
homem, apenas restará uma convicção mórbida do seu valor próprio e do seu dever
para com o semelhante.
Assim tem sido e assim ainda será por muito tempo, porque
o homem, desprezando o espírito, procura na letra a própria finalidade.
“Espíritas, espiritualistas,
não procureis falir na tarefa que vos foi confiada”, tornando-vos sectaristas
justamente perante a Doutrina que vê, no livre arbítrio concedido aos homens, o
reflexo puro da justiça de Deus.
Não sejais, pois, dogmáticos...
O dogma é, espiritualmente falando, a estagnação, o
marasmo; e lembrai-vos de que a morte só existe, realmente, para o Espírito que
estaciona, negando, assim, a lei maravilhosa do progresso geral e continuo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário