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terça-feira, 13 de novembro de 2018

O Falso Cristianismo



O falso Cristianismo – Parte 1
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Outubro 1919

            É uma tarefa que se impõe àqueles em cujo pensamento ainda se não extinguiu o amor santo da verdade - amor tão imprescindível quanto necessário ao estudo consciencioso dos factos, o que MigueI Unamuno sintetizou nesta frase singela, porém profunda e decisiva: cumpre recristianizar a humanidade.

            Com efeito, o dogmatismo católico, enxameado de preconceitos litúrgicos e de ritos, até agora nada mais fez do que desvirtuar por completo, deturpando-os, truncando-os, invertendo-os mesmo os sublimes ensinamentos do Evangelho.

            Basta um pequeno confronto entre a doutrina que o meigo e bondoso galileu,
- raio de sol descido, entre as indecisões e as trevas macabras de uma era do dissolutismo,  miséria terrenas, - pregou aos homens de seu tempo e as gerações vindouras, cheio de humildade e de fé, e o rol de abtrusos teoremas dogmáticos com que o paganismo vem, há quase dois mil anos, burlando a ingenuidade humana, para que, de pronto, se verifique a sinceridade da nossa afirmativa.

            A infalibilidade do papa e dos concílios, acumulando erros sobre erros e, sob a capa falsa dum simbolismo puramente material, engendrando interpretações exóticas, têm sido o grande cancro que, há dezenove séculos, corrompe, destrói e putrefaz o organismo cristão.

            De origem divina considera a Igreja aquilo que, sponte sua, os seus missionários criam e invertem com uma fertilidade inegavelmente pasmosa.

            Os sacramentos, por exemplo, já Tertuliano, celebre orador sagrado, assim definia o que ele julgava santas virtudes dessas exterioridades inúteis e meramente materiais: “O corpo é lavado para que a alma fique limpa de suas nódoas. O corpo é ungido para que a alma seja consagrada. O corpo é marcado com um sinal para que a alma adquira fortaleza. O corpo recebe a imposição das mãos para que a alma seja iluminada pelo espírito santo. O corpo alimenta-se com a carne e o sangue de Jesus Cristo para que a alma se nutra com a substância de Deus.”

            Os sacramentos: - Estudemo-los, um por um.

            O batismo, sacramentum regenerations per aquam in verbo -, não nos traz à
lembrança a fantasia, perversamente inquinada (corrompida) de verdades do pecado original, que em si não é senão um argumento a favor dos ateus, nas suas investidas iconoclásticas contra a vontade divina? Que os padres o respondam.

            Nada mais inverossímil do que um homem, pseudo enviado de Deus sobre a Terra, com meia dúzia de palavras ditas em mal latim poder expurgar de uma culpa outro homem que, reverente, se ajoelha a seus pés. Um centigrama de cloreto de sódio é o bastante (risum teneatis) (tente não rir)  para delir (remover, desfazer) um grande pecado!

            O homem resgatará as suas faltas, manda a Santa Igreja, ante um cubículo de madeira, batendo hipocritamente sobre o peito. Ora, ela própria ordena que os seus crentes rezem no momento da absolvição: “eu pecador me confesso a Deus...” Mas essa confissão não é feita diretamente a Deus. E a conclusão é lógica: a vaidade de um simples e miserável mortal querendo arrogar-se a prerrogativas divinas!

            A eterna fabula do sapo e da estrela...(seria esta a fábula?  “A história do amor” em http://users.matrix.com.br/gcorreia/fabulas.htm#sapos” ) Cristo perdoou os pecados a Madalena;  replicarão os reverendos, esquecidos de que a graça não estava no que a igreja humana a fez consistir. Havia remorso sincero, profundo. Devia seguir-se a reparação, não infligida e dura como para os culpados incorrigíveis, mas feita com felicidade, com alegria, com vontade de reconquistar o progresso descurado e tornar a entrar no amor do Senhor. (*)

                (*) “Quatro Evangelhos” de Roustaing.

            Mais ridículo, entretanto, é o sacramento da comunhão. Combatido tenazmente dentro da própria igreja, absurdo, imoral, de uma infantilidade a toda prova, aos nossos olhos, ele é bem uma firme característica desse dogmatismo que combatemos.

            O corpo alimenta-se com a carne e o sangue de Cristo para que a alma se nutra com a substância de Deus” disse o teólogo. Nenhum comentário nos sugere a leitura dessa proposição extravagante e grosseira...

            O orgulho da riqueza, esse mesmo orgulho que Kardec e Roustaing tão tenaz e lucidamente combateram, apontando-o como causa de grandes males, levou-a a invadir abruptamente, o terreno da lei civil, copiando dos códigos puramente humanos e sem outra presunção que a de contrabalançar as prerrogativas dos cidadãos, dentro da esfera do Direito, prevenir o excesso, punir os abusos, equilibrar em suma a vida social dos povos, em contrato que nada mais é o casamento.

            Essa invasão da igreja, que também em outros terrenos se há feito notar, é um dos frutos da sua egoística sede de predomínio e expansão, cujos efeitos perniciosos o mundo começa, em boa hora, a repelir.

            Pelo sacramento da ordem as três palavras – accipite spiritum sanctum, (receba o Santo Espírito) proferidas por um bispo, são suficientes para investir o aspirante ao sacerdócio de poderes extraordinários, cujo intuito, embora disfarçado, é manter a hegemonia e a influência da Casta Jesuítica, outra prova evidente do orgulho clerical...

            Com uma simples unção do óleo está o enfermo aparelhado para gozar, per omnia secula, (para sempre) as delícias incomparáveis da bem aventurança eterna...
            Resumindo, o que são, pois, esses sacramentos senão um verdadeiro fetichismo religioso? Di-lo a razão. Di-lo a verdade.

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O falso Cristianismo – Parte 2
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Novembro 1919


            O comércio de indulgências - O aparato com que se reveste o culto destoa violentamente da humilde simplicidade com que o praticavam os cristãos da era apostólica.

            Longe já, vai o tempo em que os soldados de Diocleciano, ao demolirem um templo da Bitínia, apenas encontraram no interior da igreja os fiéis discípulos do Cristo um volume da Sagrada Escritura.

            Hoje, os templos estão abarrotados de altares, imagens, esculturas bizarras,
pinturas de um paganismo excessivo, em que o nu das alegorias é um contraste
sarcástico à cruz tosca e modesta.

            Nas sacristias, vende-se escapulápios, terços, fitas que curam moléstias, medalhas que dão indulgências, velas e palmas que, à moda dos talismãs, endireitam a vida dos que a tem torta...

            Há, porventura, alguma diferença entre a portaria de um convento e o gabinete de consulta de uma quiromante?

            O Papa manda distribuir às incautas ovelhas do seu ingênuo rebanho pequeno
figuras de cera, cuja fabricação é privilégio dos monges de Citeaux.

            São os agnus dei (cordeiro de Deus).  Acresce que esses fetiches não custam nos fiéis apenas a vontade de possui-los... E é esse comercialismo indigno e revoltante que faz com que a igreja católica pareça mais um balcão em que os favores do céu se regateiam a todo preço, do que uma religião destinada ao culto sincero do Altíssimo.

            A infalibilidade papal - Outro erro profundo que o falso cristianismo perpetrou, para a firmeza de seu poderio, é a medida violenta que o concílio do Vaticano, realizado aos treze de Julho de 1870, sancionou contra o voto de quatrocentos e cinquenta e um dos seus membros.

            Roma sentia a necessidade imprescindível dessa inovação. Tinha ainda na lembrança o grito de revolta de Lutero, de Zwinglo e de Calvino.

            Amedrontaram-na as dissenções manifestas e frequentes que abalavam o seu trono.

            “Conhece-se os frutos pela árvore”, diz o Evangelho.

            Que fruto, perguntamos, a árvore desse método falso de interpretações poderia dar?

            A discórdia com seu cortejo de dúvidas e de heresias. Para o sossego, portanto, de Roma, 1ª infalibilidade papal era coisa de absoluta necessidade, inadiável e urgente.

            Perigava a sua doutrina enferma. O próprio clero recusava cumprir as ukases (decisões arbitrárias) do Santo Padre, não reconhecendo em Sua Eminência poderes maiores que o de simples apascentador de um grande rebanho.

            Daí o pavor de Roma trazendo como funesta consequência mais esse erro inominável, com embaraço rotulado de divino.

            Melhor do que todos os nossos argumentos diz a cifra eloquente dos cardeais
que recusaram o seu apoio à exigência orgulhosa da Sé Apostólica.

            A luz da verdade, felizmente, já começou a brilhar, pura, aos nossos olhos.

            Ai de vós, escribas e fariseus!
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O falso Cristianismo – Parte 3
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Dezembro 1919

            O poder temporal do Papa - Como não deve doer na consciência dos que estudam, serenamente, desapaixonadamente, como nós, o dogmatismo católico, apenas impulsionados pelo amor da verdade e guiados pela norma do bom senso, o contraste amargo e triste entre a vida humilde do Cristo e o luxo nababesco com que se rodeia, aparatosamente, aquele que se inculca o príncipe da sua igreja na Terra!

            Não se compreende, com efeito, que uma religião puramente espiritual, de origem divina, subscreva com o aplauso do silêncio criminoso dos seus crentes o que se nos afigura como à qualquer pessoa tão deprimente quanto ilógico e injustificável: o poder temporal do Papa.

            Será que Sua Eminência Reverendíssima não possui, do alto do seu régio trono pontifício, vestido de ouro e púrpura, cercado de baionetas pagas pelos óbulos dos incautos, apostolar as sublimes práticas de Jesus, senão com a sólida garantia de um governo e a consequente renda fabulosa do tesouro de um Estado? 

            O Vaticano é um monumento que a soberba e o orgulho católicos ergueram, num delírio megalomaníaco de grandeza, à pomposa exterioridade material dos seus ritos.

            A perniciosa influência desse poder temporal, através das idades, é fato que os historiadores registram e os sociólogos comentam.

            A intervenção direta do papa em todas as questões meramente políticas que tem convulsionado o mundo, máxime na era negril dos tempos medievais, bem demonstra que Sua Eminência mais se preocupa com as pendengas das chancelarias do que com a salvação das almas do seu descuidado aprisco.

            As lutas entre Roma e os Imperadores da Alemanha, o modo porque o papa se imiscuía nas sucessões de tronos e negócios outros dos Estados europeus, a maneira porque fazia valer o seu prestígio na escolha dos governantes e na decisão dos intrincados  casos da incipiente diplomacia de outrora, tudo isso vem provar que aos falsos apóstolos do Cristo mais convém os enredos dos gabinetes e dos paços reais que o exercício, modesto embora, porém mais glorioso e digno, da missão que se lhe impunha o dever.

            Jesus pregou a bondade, a tolerância, o ensino pela palavra convincente e sincera. Mas no arquivo da história católica apenas datas rubras sobressaem.

            Contemplemos o passado.

            Na França, a matança de S. Bartolomeu, a perseguição bárbara e impiedosa àqueles que não rezavam pela cartilha de Roma, a luta contra os huguenotes, o sangue, a opressão, a tirania.

            Na Suíça, João Huss queimado vivo, sob o apupo da turba, que o apedrejava, com a inconsciência das multidões desvairadas.

            Na Itália, os Gibelinos perseguidos, acossados, expatriados.

            Dante, vítima das suas convicções políticas, sofrendo as agruras e o infortúnio de um exílio forçado.

            Na Áustria e na Alemanha, o mesmo horror.

            Na Espanha, a atmosfera é mais sombria, o quadro mais trágico... a impressão mais dolorosa e lancinante.

            É a Inquisição com seu cortejo de crimes abomináveis. Vítimas inocentes, mulheres e crianças indefesas morrendo entre suplícios que a imaginação infernal dos improvisados juízes de batina porfiava em tornar cada vez mais terríveis, num furor bestial de carnificina e de sangue.

            O luto nos lares, o pranto, a orfandade, a viuvez, a tristeza.

            Em Portugal, homens ilustres, sucumbindo à sanha feroz dos inquisidores.

            Por toda a parte, enfim, um rastro vermelho de opressão e barbaria.

            O quadro, porém, não está completo.

            Há alguma coisa ainda, a observar e a descrever.

            Olhemo-lo um minuto a mais.

            Aqui, Galileu obrigado a retratar-se, sob o peso da intolerância estúpida e da ignorância ameaçadora dos frades.

            Ali, Bartolomeu de Gusmão, jazendo numa masmorra de Toledo.

            Acolá, as obras de Kardec queimadas publicamente em Barcelona.

            A ciência premida.

            Os sábios injuriados, chacoteados, vilipendiados.

            Roma não quer a inteligência.

            Despreza-a, persegue-a, oprime-a.

            Nela vê uma arma terrível contra sua mentira.

            Daí, pois, o seu ódio sem limites.

            A voz de Pedro, o Eremita, e à palavra austera e grave de Urbano VI, toda
a cristandade se levanta e se precipita, como uma avalanche feroz e brutal, contra o Oriente Muçulmano.
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O falso Cristianismo – Parte 4
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            Vem a noite negra das cruzadas.

            A fina flor da nobreza morre c fenece, longe das pátrias, nos campos inóspitos das terras maometanas.

            Burguesia e plebe pagam também ao Deus Moloch da intolerância papal o tributo da sua vida e do seu sangue. E, até agora, tantos séculos decorridos, nenhum sociólogo católico houve que demonstrasse as vantagens de ordem moral, social e até comercial que essa tremenda campanha produziu.

            Conhecimentos dos costumes, hábitos e modos dos países do outro lado do Mediterrâneo, que tanto alegamos historiadores de sotaina?

            Nada valeu ao progresso da época, pois a sua influência, se não foi nula, foi
pelo menos insignificante e banalíssima.

            O papel da igreja, portanto, tem se limitado a propagar entre os homens o
Gérmen das dissenções, da discórdia, da intolerância, tão em desacordo com a fraternidade pregada pela doutrina do Cristo.

            É o sistema do “crê ou morre”.

            Perniciosa, ao nosso ver, é a influência do papismo na marcha evolutiva da humanidade.

            Cumpre lembrar que Roma, foi o baluarte mais poderoso do absolutismo e o esteio mais forte da prepotência tirânica das monarquias da Europa.  

            As ideias liberais, os princípios democráticos tudo enfim que é hoje a base da organização civil e política dos povos cultos encontrou sempre nos pontífices romanos a barreira mais difícil de transpor.

            Tão antipática era a atitude que a Santa Sé mantinha, em face das justas
reclamações dos povos, ansiosos de liberdade, que a revanche contra os padres atingiu ano auge da violência, como na Revolução Francesa e, ainda a pouco, na Revolução Portuguesa, excessos aliás condenáveis.

            A arte moderna, a literatura profana, os grandes mestres, o teatro, as próprias
Invenções do engenho humano, as próprias leis, como as do matrimônio civil e da administração dos bens da igreja pelo Estado, tem contra si o ódio de Roma e os ataques  furibundos dos oradores clericais. Mas a verdade é una e indivisível.

            Apontamos fatos e, estudando-os serenamente, sem paixão, despidos de qualquer interesse baixo ou intuito inconfessável, tiramos conclusões que nos ditaram o raciocínio e a lógica.  

            Mostramos o que é o papismo em si, com seus absurdos.

            Provamos a má influência da igreja sobre o movimento social do mundo em
dezenove séculos.

            Dissemos, apoiados em fatos e documentos incontestes, que tudo que há produzido a humanidade de benéfico e de útil encontrou sempre na igreja o seu mais feroz antagonista.  
            A época  mais sombria e atrasada da história, a idade média, foi exatamente aquela em que mais poderosa se fez a ação de Roma e dos papas.

            A Humanidade como que parou, ou melhor, retrocedeu.

            E, somente depois que se iniciou, nos gabinetes dos filósofos e nas velhas
salas das universidades, a reação contra o clericalismo, que um impulso de progresso e de adiantamento observou-se no mundo.
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O falso Cristianismo – Parte 5
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Janeiro 1920

            O dogmatismo católico conduziu ao materialismo. A árvore maléfica de Roma
não podia dar outro fruto que não o materialismo, desolador e triste. Verdade
inconteste é essa que vimos de afirmar. Foi do conflito entre a ciência dos enciclopedistas, fátua e pedante, e o dogmatismo incoerente dos papas, orgulhoso e arrogante, que nasceram, com os primeiros sintomas da dúvida, o negativismo e a descrença. Roma levou a humanidade no desconforto de um ceticismo funesto, como levou os sábios ao materialismo.

            “A letra mata, o espírito vivifica”, exclamou Paulo na sua segunda epístola
aos coríntios.

            Foi dessa luta entre a razão ainda vacilante e a intolerância clerical que surgiram as hipóteses, às vezes infantis, as vezes ridículas, da ciência materialista.

            Roma coibindo os seus fiéis da leitura e discussão do texto das escrituras sagradas e, sobretudo, das suas leis e bulas, exacerbou os homens.

            E como já tinha, séculos antes, produzido a Reforma, a dissenção no seio do eu
próprio apostolado, não era de admirar que também produzisse o mais puro e desbragado materialismo.

            “O homem deve raciocinar, estudar, fazer ideia de todas as coisas”, disse
Lucas.

            A Santa Sé, entretanto, não o entende assim. Prefere a letra ao espírito.

            Razão de sobra, pois, tinha Savage, na sua “Religião estudada à luz da doutrina
Darwinista”, quando discorria: “se uma das acusações da igreja à ciência, é a que esta é materialista, ouso notar que a concepção eclesiástica da vida futura foi sempre e é ainda materialismo puro.”

            O corpo material deve ressuscitar e habitar um céu material.

            A culpa, a grande culpa dessa dolorosa enfermidade, que é falta de Fé, cabe, pois inteira a Roma.

            Mas a verdade começa de brilhar.

            A nova era se inicia radiante de consolação e de promessas.

            Cristo ressurge. O espiritismo é um fato que os sábios já atestam e confirmam.

            Seu ideal é nobre: a perfeição humana, por meio do amor, do estudo e da caridade.
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O falso Cristianismo - Parte 6 e final
por Fernando Coelho
Reformador (FEB) Fevereiro 1920

            O espiritismo é uma verdade, atestam milhares de sábios. Como toda a
Verdade, - luz cujo brilho imaculado os subterfúgios da treva em vão tentam obscurecer e empanar. O espiritismo foi, é, e ainda será por muito tempo – porfiosa e tenazmente combatido.

            Aos seus crentes, porém, pouco importa a zombaria dos céticos.

            Obra luminosa, é daquelas que, muito longe de envergonharem, enobrecem e
estimulam.

            A verdade, objetivo dos que sinceramente analisam e estudam a Natureza,
não é privilegio de nenhuma seita.

            Está franqueado a todos o seu caminho. Que os cientistas, pois, observem-na, examinem-na, escalpelem-na cuidadosamente, sem precipitação, e terão realizado, para benefício e consolo da humanidade, a mais nobre e útil das tarefas.

            Mas, zombar, sem provas nem documentos de valia, daquilo que se não conhece, pelo simples gozo de épater (impressionar), é coisa intolerável.

            O espiritismo é uma verdade, dissemos. Surgiu no triste momento em que ciência e religião, materialismo negativista e desolador e dogmatismo esdrúxulo e apavorante, se digladiavam à mão armada, no campo estreito de um duelo improdutivo.

            Na hora em que Schiller, desesperado, exclamava:

            “La guerre soit entre vous. L'union viendrn trop tôt encore! C'est á la seule condition que vous restiez désunis dans Ia recherche, que la vérite se fera conaitre!”

            Na noite sem luar da descrença projetou, desde logo, um raio vívido de fulgor, iluminando as consciências e esclarecendo as almas. Pregando a humildade, a fraternidade, a caridade, levou aos lares pobres o alívio, a esperança, e o conforto.

            Aboliu o fanatismo, induzindo os homens à análise meticulosa dos fatos. Cortou pela raiz a árvore daninha da superstição, desfazendo a velha blague (piada) do milagre, com a prova insofismável de que tudo que à imaginação se figura estranho, obedece tão simplesmente a leis naturais, até há pouco apenas desconhecidas.

            Religião e ciência, da igualdade, do amor e do perdão, o espiritismo veio reformar o homem, rasgando lhe novos horizontes, abrindo-lhe os olhos à Verdade.
            O tempo dos dogmas passou. Passou a época pessimista das hipóteses A era que surge é a da realidade.

            Não basta crer. É preciso estudar, inquirir, prescrutar os íntimos segredos do mundo visível e invisível que nos rodeia, para que a alma não resvale para o falso terreno da fantasia e da quimera (sonho que não é possível alcançar). Aos sábios oferecemos o exemplo sadio, confortante, pleno de sinceridade, de Crookes, Lornbroso, Richet, Wallace e tantos outros, que, para firmarem a respeito dos fenômenos espíritas uma opinião abalizada e segura, conscienciosamente os estudaram, tirando conclusões, anotando fatos, guiados sempre pelo raciocínio e pelo critério o mais escrupuloso.


            Que melhores documentos para o espiritismo do que essas opiniões? 



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